- Seu cabelo é macio?
- Não sei, acho que sim. O que você quer dizer com cabelo macio?
- Cabelo macio é aquele que você pode escorrer com os dedos.
- Ah, meu cabelo é cacheado, você quer tocar?
Ela passa a mão no meu cabelo, me olha com cara de quem está mais confusa e diz:
-Você nasceu com o cabelo assim?
Acredito que ela queria saber se sou negra. Desde que cheguei aqui minha declaração de raça algumas pessoas encabuladas. Tive uma discussão com uma "irmã de cor" e ela teimava que não sou negra. Uma visita ao Google a deixou convencida e até declarou que o Brasil é um paraíso racial, uma mistura de cores vivendo em harmonia. Também escutei que não sou negra porque meu cabelo e nariz são normais. Numa loja metida à besta a hair stylist disse que só conseguiria cortar meu cabelo depois de fazer uma chapinha - respondi que ela não sabe cortar cabelo e saí balançando meus cachos poderosos.
Henry Louis Gates Jr. um dos mais renomados professores de história afro-americana resolveu fazer uma peregrinação pelas Américas para descobrir como vivem os negros no México, Peru, Cuba, República Dominicana, Haiti e Brasil.
Durante sua parada no Brasil ele conversou com historiadores e populares sobre escravos e o que aconteceu depois que princesa Isabel resolveu assinar a Lei Áurea. Achei que ele retratou o conflito de raças com precisão, brasileiros e brasileiras têm medo de assumir sua negritude, seja através do cabelo liso ou da auto-declaração de "moreninho" ou "moreninha."
Enquanto aqui uma gota de sangue são suficientes para classificar alguém como negro, no Brasil uma gota de sangue nos promove a mulato, moreno, pardo, marrom-bombom e tantas outras auto-declarações que vemos no Censo do IBGE.
Watch the full episode. See more Black in Latin America.
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Quem está no Brasil pode assistir à série através dos links, é grátis e você ainda aprende alguma coisa :)
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