Há dez anos eu era uma pessoa bem diferente e o que vi na televisão era distante, inacreditável e difícil de relacionar. Não conhecia pessoas que foram sofreram a dor de perder um ente querido, não vi a cicatriz que o ataque deixou em Nova York. Quando mudei pra cá fiquei frente à frente com o que restou das torres, um buraco enorme do meio de Manhattan e só então tive uma dimensão do que aconteceu no dia 11 de setembro. Minha rotina nos aeroportos envolve tirar os sapatos e passar por um scanner que examina cada pedaço do meu corpo, logicamente estes pequenos inconvenientes são nada perto do sofrimento da mãe que perdeu a filha, do homem que perdeu a mãe, pai e irmão, da mulher que ficou viúva e teve que encontrar forças para cuidar de um bebê de 11 semanas.
O ataque deu início à duas guerras que ainda não chegaram ao fim e gerou intolerância e medo. Acho que o sentimento de luto nunca vai passar, mas a esperança é que nos próximos anos o país consiga refletir e mudar o que está errado, sem nunca esquecer a dor daquele dia.
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