A vontade de praticar yoga é bem antiga, mas a falta de tempo e determinação foram persistentes e somente quando mudei pra cá tomei coragem de encarar as aulas. Muita gente fala dos benefícios físicos, mas o que adoro mesmo é calma que a yoga me proporciona. Este semestre tem sido particularmente difícil, finalmente estou no último ano e tenho que dividir meu tempo entre o emprego, a base de pesquisa, as aulas e um marido bem compreensivo mas que também precisa de atenção. Então de segunda à quinta me descabelo, durmo pouco, corro entre uma aula e outra e tento manter a sanidade mesmo depois de 14 horas na universidade.
Na sexta-feira planejo meu dia em torno da aula de yoga, durante uma hora e meia eu "acordo" os mais variados músculos do meu corpo enquanto pouco a pouco minha mente esquece das listas mentais de coisas a fazer, da prova que está por vir, do trabalho que ainda tenho que escrever.
Semana passada a instrutora buscou inspiração na deusa Durga na hora de planejar a aula. Durga significa "inacessível" ou "invencível" uma pessoa que pode se recuperar mesmo em situações de extremo estresse. Ela encara esses desafios com dezoito braços, carregando diversas armas e uma flor de lótus. De acordo com os ensinamentos hindus, Durga é destemida e nunca pede o senso de humor mesmo diante de batalhas de proporções épicas. Pensando nessas características, a instrutora nos guiou em poses que desafiavam nosso equilíbrio, medos, músculos desconhecidos e nos "obrigou" a incorporar um pouco da Durga.
Enquanto tentava não cair ao fazer o guerreiro III pensei nos desafios que ainda tenho pela frente assim como cada obstáculo que encarei. Pensei na frustração de começar do zero, no medo das aulas em terras estrangeiras e na solidão que somente um expatriado conhece. Entrei em contato com a guerreira que existe dentro de mim e decidi que estou pronta para mais surpresas que a vida ainda me reserva!

ma durga god bless u..
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