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Separado, mas igual

Há pouco mais de quatro anos tenho observado o Brasil de uma maneira bem diferente. Observo as tradições, a cultura, a política e a educação com os olhos de brasileira e com olhos "estrangeiros." Recentemente li "A Resposta" de Kathryn Stockett e assisti ao filme "The Help" e fiquei pensando nas similaridades entre Brasil e Estados Unidos. O livro explora a relação entre as empregadas domésticas negras do Mississippi dos anos 60 e as famílias brancas que as contratavam. Algumas vezes ri, outras fiquei à beira do choro por conta da mentalidade ignorante de pessoas racistas. O sul dos anos 50 e 60 estava mergulhado na premissa de "separados, mas iguais," a teoria de que os negros tinham os mesmos direitos mas que deveriam viver separados, longe. Por conta dessa mentalidade existiam bebedouros, banheiros, escolas e bairros destinados aos negros americanos.

Os anos 60 foi marcado pela brutalidade e coragem em busca dos direitos civis dos negros. John F. Kenndy foi eleito presidente e contratou o primeiro negro para ser agente do serviço secreto. No entanto, a segregação racial no sul era tão forte que ele não poderia se hospedar no mesmo hotel que o presidente. Em Mississippi, o ativista Medgar Evers foi assassinado na frente da esposa e dos filhos. James Meredith enfrentou o ódio e racismo se matriculou na Universidade de Mississippi, tornando-se o primeiro negro a frequentar a universidade. E ainda tem Martin Luther King Jr. que desafiou o país em busca dos direitos civis. 

Até aqui você deve estar pensando que Brasil e Estados Unidos não têm nada em comum. Apesar de não existir legislação específica, existe sim segregação no Brasil. A segregação brasileira é socio-econômica. No livro, as empregadas são forçadas a usar o "banheiro dos fundos" porque os "negros carregam doenças diferentes." No Brasil usamos a dependência de empregada para criar a distância entre a patroa e a doméstica.  Casas e apartamentos sem o quarto apertado, abafado e sem janelas são desvalorizadas pela classe média e alta. Gostamos de dizer que não somos racistas, que todo mundo é igual, no entanto estamos sempre tentando deixar claro quem é patrão e o empregado. Criamos o elevador de serviço, as babás usam uniforme e até pouco tempo o anúncio de emprego pedia candidatos com "boa aparência."

Durante anos ativistas americanos lutaram por melhores condições de vida e ainda existe discriminação racial. Não dá para mudar a mentalidade de muitas pessoas, mas pelo menos o governo reconhece os direitos de todos (ou quase todos). O processo de conscientização e educação dos brasileiros vai demorar algum tempo, mas precisa começar de algum lugar. A questão é:

Quem está afim de mudança?




Social ou de Serviço from Andre Franco on Vimeo.



3 comments:

  1. Eu também vi muitas coisas parecidas entre a sociedade daquele filme e o Brasil de hoje. Mas você já viu este artigo?

    http://www.nytimes.com/2011/05/20/world/americas/20brazil.html?pagewanted=all

    É nojento o jeito que as mulheres ricas no artigo falam sobre as empregadas exigindo direitos.

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  2. Li sim. Meu comentário preferido foi “Now that I am pregnant I am going to look for someone that isn’t a nanny, because nannies think they are on another level now.” Tem muito brasileiro que valoriza uma sociedade estática, sem muita oportunidade para mobilidade.

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  3. Muito legal o seu blog!
    Passa no meu também?
    Beijos..

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