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O lixo de um é tesouro de outro

Digo pro marido que somos um casal de velhos enjoados. Não gostamos de balada e trocamos uma noitada por um bom vinho e um filme interessante. Como bom velhinhos que somos, gostamos de assistir "Antiques Roadshow" no PBS.

O programa foi lançado no Reino Unido em 1979 e o canal americano lançou uma versão própria em 1997 e desde então visita diversas cidades americanas em busca de antiguidades. Adoro ver as senhoras de cabelos brancos chegar no programa com uma pintura, escultura ou jóia de enorme valor sentimental. Elas sentam, contam como adquiriam o objeto, que muitas vezes foi passado de geração em geração e muitas vezes descobrem que aquele tesouro sentimental vale muito! Já vi algumas chorarem, outras levarem um susto e outras ficam boquiabertas sem saber o que dizer.

Dia desses um biólogo levou a primeira edição de três livros importantíssimos para a comunidade científica: ""Zoologia da viagem do H.M.S. Beagle," "A Origem das Espécies" e de Charles Darwin. O livro foi um presente de casamento que ele ganhou da esposa. e tinha grande valor sentimental. No programa ele descobriu que o presente estava avaliado em $150 mil dólares.

Watch Appraisal: Three Charles Darwin First Editions, ca. 1830 on PBS. See more from Antiques Roadshow.


Até hoje a avaliação mais impressionante que já vi foi de uma taça chinesa do século XVII. O objeto foi avaliado entre $350 a 450 mil dólares. O detalhe: o dono da peça tinha comprado a taça nos anos 70 num flea market em Nova York e pagou 1 dólar!

Watch Appraisal: 17th-Century Chinese Rhinoceros Horn Cup on PBS. See more from Antiques Roadshow.


Sempre que assisto o programa fico com vontade de vasculhar as lojas de quinquilharias em busca de um tesouro.

Tão longe, tão perto

Sei que ainda é fevereiro e que provavelmente o lago está congelado e a casa está cercada de neve. Mesmo assim já estou pensando no verão, nos dias longos quando o sol vai embora às 9 da noite e eu mergulho nas águas negras do lago.

Fico com saudades de sentar na doca, escutar a madeira queimar, tomar um vinho com o marido e conversar sobre os sonhos e o futuro. Ô verão, chega logo!





A Raisin in the Sun


Há alguns anos, pelo menos uma vez ao mês vou ao teatro com minha sogra. Já assistimos as peças clássicas do August Wilson e até o musical Drácula (que não foi lá essas coisas). Ontem vimos "A Raisin in the Sun" da Lorraine Hansberry, uma obra clássica que explora os sonhos, medos, angústias e a segregação racial em Chicago nos anos 50. A autora tinha apenas 27 anos quando escreveu a peça e foi a primeira mulher afro-americana a ser produzida na Broadway. "A Raisin in the Sun" foi sucesso de crítica e público e angariou vários prêmios num período que o teatro americano viu a estréia de "Much Ado About Nothing," "The Sound of Music" e "Heartbreak House."


A peça retrata a vida dos Youngers, uma família negra que vive na pobreza mas que vê a possibilidade de mudar de vida quando o patriarca morre e deixa um seguro de vida. Cada membro da família tem uma idéia sobre o que fazer com o dinheiro, mas a matriarca fica dividida entre os sonhos de cada um. Por fim ela decide comprar uma casa num bairro branco, mas o sonho da casa própria é ameaçado pela intolerância dos vizinhos que não querem moradores negros.

Estudei história afro-americana na universidade e gosto de aprender sobre as diferentes conquistas dos negros ao longo dos anos. Ainda existe racismo e desigualdade, mas analisar o passado duro trás esperanças sobre um futuro mais justo.

Entre livros

Trabalho no departamento de conservação e restauro de livros raros da universidade. Durante 15 horas por semana conserto livros antigos e livros que apesar da pouca idade foram usados e abusados durante o semestre.  Em alguns casos as páginas estão soltas, em outros tenho que construir uma caixa para acomodar o livro porque o pobre coitado tem mais de 150 anos e está caindo aos pedaços. Como nenhum livro é igual, cada dia tenho que exercitar minha criatividade na hora do conserto.  Hoje por exemplo, tivemos que cuidar de um exemplar que foi usado como exterminador de baratas!


Gosto da rotina de encontrar livros que precisam de cuidados, fazer o diagnóstico e traçar o plano de "tratamento." É um trabalho minucioso que requer concentração e muita paciência, mas o resultado é um livro que ganhou uma repaginada no visual e está pronto para cair na "gandaia." É meio difícil explicar o processo de restauro de um livro, mas me acompanhe neste "tour" virtual que você entenderá a minha rotina!

Plásticos e tecidos de cores e texturas variadas para encapar os livros. 

Caindo aos pedaços...

e protegido por uma caixa de papel-cartão




Livros prontos para voltar pro batente

Esse é o Jacques, o senhor guilhotina. 
Qualquer dia desses mostro o passo-a-passo no restauro de um livro!

Love is in the air!

Happy Valentine's Day


O amor definitivamente está no ar (e na carne) por aqui!

Contagem regressiva

Faltam 100 dias.

Nestes últimos anos acumulei conhecimento, experiências, chorei e também dei risadas. Conheci gente bacana, e outras nem tanto. Em apenas 100 dias completarei mais um ciclo, depois de anos de muito trabalho e dedicação. Deixei de ir a festas, recusei convites pro cinema, para shows, para uma viagem de última hora e até perdi o Superbowl deste ano!

Já consigo enxergar a linha de chegada, mas não esqueço o percurso longo que enfrentei. Lembro da primeira prova de neurocência cognitiva quando não conseguia entender bulhufas! Depois de receber a nota desastrosa criei coragem para falar com o professor e pedir ajuda,  segui cada conselho à risca e no fim do semestre colhi os frutos do trabalho.  Sempre converso com o Dr. Jacobs nos corredores do departamento, e ele gosta de saber dos meus progressos e planos.  Na aula de artes visuais e culturais fiquei tímida diante de tantas palavras "difíceis" que os outros alunos usavam, depois de um tempo percebi que metade deles não sabia do que estava falando e enfeitava o discurso para impressionar a professora. Tive noites não-dormidas, movidas à base de café ou guaraná natural e depois enfrentei um dia inteiro de aula e juro que escutei o professor falando português!

Nesta jornada descobri que meu cérebro é um danado e que tem uma capacidade muito maior do que eu imaginava. Além do conhecimento, acumulei uns livros!




Vou voltar pra labuta que ainda tenho 100 dias pela frente!

Português X Espanhol

No meu chá de panela me perguntaram qual era meu "pet peeve" em relação ao marido. Como ainda estava me aclimatizando com as expressões americanas, não tive a menor idéia do que significava e pensei que estavam me perguntando alguma coisa sobre o cachorro. Respondi que de-tes-to cheiro de cachorro. Todos me olharam com aquela cara confusa, mas como estava entre ladies ninguém tirou onda da minha cara.

Depois de quase 5 anos morando por essas bandas aprendi direitinho o que "pet peeve" significa. Sabe aquele coisa que irrita cada célula do seu ser? Pois bem, é o tal do "pet peeve." Apesar do marido fazer algumas coisas que me fazem franzir a testa, ele não é o motivo desta postagem - vai que ele resolve criar um blog pra reclamar de mim? =).

O prêmio "ingua" do dia vai para os americanos que insistem que português e espanhol não são diferentes. Se eu dizer que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa basta?

Situação 1:
"Ah você está estudando espanhol? Por que? Não é tudo a mesma coisa?"

Penso em responder: Não cara pálida, não é a mesma coisa! Como sou uma "lady" explico que português é uma língua românica assim como italiano, francês e espanhol e portanto a estrutura gramatical é parecida, mas isso não significa que posso falar fluentemente todas elas.

"Mas dia desses eu escutei uma música em português e tinha uma palavra com a mesma pronúncia que espanhol."

É nessa hora que desisto!

Situação 2:
Meu irmão e eu conversávamos animadamente em português, quando alguém abre a boca e diz que conseguia entender um pouco do nosso espanhol. "Nós estávamos falando português."

"Oh, whatever! É tudo a mesma coisa!"

Deixa eu mostrar o que é a mesma coisa:

Eleições presidenciais

Nos anos 80, o macaco Tião roubou a cena nas eleições municipais do Rio de Janeiro quando foi eleito vereador. Em Natal, Miguel Mossoró, um  causou reboliço nas eleições quando se candidatou a prefeito e prometeu construir uma ponte ligando a cidade até Fernando de Noronha, uma ponte que teria 361km, o equivalente a 27 pontes Rio-Niterói. Até Obama se candidatou no Brasil!

Como é ano de eleições presidenciais nas bandas de cá, tenho acompanhado as maluquices dos candidatos americanos. Já que o presidente Obama tentará a reeleição, alguns políticos republicanos estão na briga pela nomeação do partido do elefante. Mitt Romney, Newt Gingrich, Ron Paul e Rick Santorum estão na briga, mas a disputa está acirrada entre Romney e Gingrich. Sabe aquela história do sujo e do mal lavado? Pois bem, são estes dois.

Durante um debate durante as eleições primárias Gingrich disse que durante seu mandato os EUA será o primeiro país a ter uma colônia permanente na lua. Isso mesmo, na lua! Se você não acredita dá uma olhada no vídeo:



O outro disse "que não está preocupado com os pobres"



E pensar que o festival de abobrinha está só no começo!

Óia o gato!

Há algum tempo falei do novo morador daqui de casa, o Smokey ou o gato-problemático-que-foi-expulso-de-casa.  Nesses últimos seis meses acompanhamos o processo de adaptação do gato ao novo lar e podemos dizer que essa adoção foi um sucesso. No primeiro dia Smokey correu para debaixo da cama e tremia como vara verde, o medo era tanto que ele ignorou a comida e a necessidade de ir ao banheiro. No segundo dia ele se aventurou pelo corredor, mas corria para o quarto a cada surpresa. Hoje em dia ele passa o dia em frente à janela e quando abrimos a porta ele corre para espiar.

Com o passar do tempo ele ficou mais carinhoso, quando chego em casa ele corre para dizer oi e se esfregar na minha perna. Quando estou na cozinha ele fica sentado, observando cada movimento com uma curiosidade enorme. Ele é minha companhia constante quando estou estudando, Smokey senta na cadeira e me segue até na pausa pro banheiro.

Nesses seis meses descobri como é bom chegar em casa e ser recebida com os miados alegres do Smokey ou escutar seus passos preocupados quando estamos dormindo demais. Também descobri que tenho inveja da vida fácil que ele leva. Ele come, dorme, come, recebe chamegos, dorme de novo e come outra vez.






Chega, estou cansado desse ensaio fotográfico